Exportação direta e indireta ou consórcio: entenda qual é o melhor para o negócio rural

pessoa retirando um punhado de soja de uma saca

Exportação direta e indireta: vantagens e desvantagens, diferenças, como o processo é feito e muito mais!

A exportação é a prática de vender um produto ou serviço para outro país. Essa venda pode ser realizada de forma direta, indireta ou através de um consórcio.

Entrar no mercado internacional é um desafio para todas as empresas, especialmente para as pequenas e médias. Por outro lado, a possibilidade de negociar fora do país abre oportunidades de diversificação e expansão do seu negócio. 

Para isso, conhecer as operações de exportação direta e indireta é fundamental para escolher a melhor forma de inserir seu produto no mercado externo.

Neste artigo, você verá quais são os tipos de exportação e o que é preciso fazer para realizar essa operação de comercialização. Boa leitura!

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O que é exportação direta e indireta

A diferença entre exportação direta e indireta é que a exportação direta é feita sem um intermediário no processo, enquanto a exportação indireta é feita com intermediário. 

Na direta, a própria empresa é responsável pela venda ao mercado externo. Por outro lado, a exportação indireta é realizada por meio de uma terceira empresa (normalmente uma trading company ou empresa comercial exportadora) que adquire produtos para exportá-los. 

No caso da exportação direta, um profissional ou empresa no Brasil entra em contato direto com um representante da empresa compradora no país importador.

Neste tipo de operação, a empresa precisa ter conhecimento de todo o processo de exportação. Por exemplo, contato com o importador, documentação de exportação, acordos comerciais internacionais, transporte, pesquisa de mercado, entre outros.

No caso da exportação indireta, a empresa que produz a mercadoria não se encarrega da comercialização externa do produto, do transporte até o destino. Ela também não se preocupa com localização de compradores externos e com promoção externa do produto.

Essa intermediação pode ser feita por:

  • consórcios de exportadores;
  • empresas exportadoras ou que também atuam no mercado interno;
  • empresas especializadas em operações de exportação e importação (trading companies).

Vale lembrar que a exportação indireta também pode ser feita por outro estabelecimento da empresa produtora. Nessa situação, a venda feita a essa empresa conta como uma exportação direta e garante os mesmos benefícios fiscais, como ICMS.

Vantagens e desvantagens da exportação direta

Se sua empresa pretende ter o controle completo da operação, essa modalidade pode ser a melhor escolha para você. Há outras vantagens da exportação direta, como:

  • internacionalização da empresa e da marca;
  • por não existirem custos com intermediários, os lucros são maiores
  • gestão da estratégias de vendas e possibilidade de melhor programação para atender às demandas da empresa;
  • possibilidade de encontrar novos mercados e parceiros de negócios.

Apesar de ter muitas vantagens, a exportação direta também apresenta algumas desvantagens, que estão relacionadas à necessidade de investimentos por parte da empresa.

O processo de exportação de mercadorias é complexo e exige a criação de um planejamento, tarefa que nem sempre é fácil. Parte desse planejamento envolve a adaptação dos colaboradores e setores da empresa para lidar com diferentes mercados.

Para que a operação ocorra da maneira correta, é imprescindível ter um setor ou uma pessoa especializada no assunto. Áreas como marketing, logística e fiscal também devem estar preparadas para lidar com outros mercados, leis e burocracias.

Assim, de modo geral, há um aumento na demanda por investimentos financeiros e de recursos humanos. Além disso, essa adaptação da empresa pode exigir um tempo maior para que o processo de exportação aconteça. 

Vantagens e desvantagens da exportação indireta

A exportação indireta pode ser vantajosa para empresas sem experiência na comercialização externa de produtos. Micro e pequenas empresas iniciantes no processo exportador são exemplos. 

Além disso, pode ser um caminho para produtores que não querem se preocupar com as burocracias do comércio internacional

Outra grande vantagem é de que ela pode ser um caminho mais rápido para exportar, já que o processo é feito por empresas que detém o conhecimento neste tipo de comércio.

Além disso, a adaptação da empresa, com investimento em pesquisas de mercado e criação de um departamento de comércio exterior exigem tempo e dinheiro. Esse é um problema que quem opta pela exportação indireta não tem.

Por outro lado, ao fazer a comercialização indireta, você acaba por não se aprofundar no mercado para o qual está vendendo a mercadoria. Ainda,  se torna mais difícil internacionalizar sua marca e o retorno tem a tendência de ser menor também. 

A empresa que opta pela exportação indireta também acaba sendo um pouco dependente da empresa exportadora, além de não estabelecer uma relação com o importador de seu produto.  Também vale lembrar que como o risco é menor, a margem de lucro também tende a ser.

Consórcios de exportação

Os consórcios de exportação são uma modalidade de exportação indireta. Entretanto, nesta modalidade, diversas empresas se unem com o objetivo de fornecer um ou mais produtos a serem exportados.

Neste caso, a individualidade das empresas se mantém. A cooperação entre empresas é dada por meio de contratos de Arranjos Produtivos Locais

Ou seja, é um meio formal de cooperação estratégica de médio e longo prazo entre empresas. O objetivo é facilitar o acesso de produtos e serviços ao mercado externo.  

Esta opção é voltada para pequenas e médias empresas que, através do coletivo, conseguem usufruir dos benefícios de escala. Elas adquirem habilidades, capacidades e recursos para lidar melhor com os riscos da economia global e com intensa concorrência.

Vantagens e desvantagens do consórcio de exportação 

Nessa modalidade, a combinação de recursos, capacidades e habilidades aumenta as possibilidades de exportação de pequenos e médios produtores. 

Isso ajuda a reduzir os custos e riscos associados à entrada de novas empresas no mercado externo.

Por outro lado, o consórcio envolve a participação de muitos produtores. Isso pode dificultar o processo de exportação, pois podem surgir conflitos devido a divergências de interesses que exigem maior articulação entre os membros.

Como fazer exportação direta

Desde 2018, o processo de exportação, importação e trânsito aduaneiro foi modificado no país. Assim, ficou mais ágil, simples, moderno e menos custoso com o Portal Único Siscomex.

Os dados e informações recebidos por meio do portal compõem um banco de dados unificado do comércio exterior. Isso permite a formação de estatísticas e índices de desempenho.

Antes de realizar a exportação de seus produtos, é preciso levantar os documentos necessários para isso. A documentação é extremamente importante para que a exportação ocorra de acordo com os trâmites aduaneiros. 

A lista é um pouco extensa, mas se a empresa estiver sem nenhuma pendência fiscal, será relativamente fácil obter todos os documentos necessários. 

Passo a passo

O primeiro passo é fazer o cadastro como empresa exportadora no Radar/Siscomex (Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros). Para isso é necessário ter certificado digital.

Logo depois, é necessário acessar o Módulo Cadastro de Intervenientes a fim de vincular o representante aduaneiro. Esse representante pode ser “Dirigente Funcionário”, “Despachante Aduaneiro”, “Mandatário” ou “Terceiro”.

Para vincular o despachante aduaneiro, por exemplo, basta acessar o Menu Representação, depois “Representação por Despachante”, em seguida “Incluir”. 

Após isso, basta informar o CNPJ rural da empresa exportadora ou, em caso de pessoa física, informar o CPF.  Depois do cadastro, o próximo passo é separar os documentos relacionados ao processo de venda, como:

  • Registro de intenção de compra por parte do importador;
  • Contrato de câmbio;
  • Fatura Pro Forma (documento com os detalhes da negociação da compra entre exportador e importador);
  • Documentos do contrato de exportação.

Com todos esses documentos em mãos, é possível iniciar o processo de exportação do produto. Após entrar no Siscomex, o primeiro passo é fazer a DU-E (Declaração Única de Exportação).

A DU-E é um documento eletrônico com informações da legislação aduaneira, administrativa, comercial, financeira, tributária, fiscal e logística. O documento caracteriza a operação de exportação dos bens e serve de base para o despacho aduaneiro.

Além da DU-E, é exigido o LPCO (Licença, Permissão, Certificado e Outros Documentos), também chamada de licença de exportação. O exportador deve solicitar essa licença aos órgãos anuentes por meio da seção “Módulo LPCO”.

Na exportação de certos tipos de mercadorias, como os produtos vegetais, é necessário um LCPO especial emitido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Afinal, ele exige a Declaração Agropecuária de Trânsito. 

Portanto, é sempre importante verificar a legislação aduaneira e de exportação para que a exportação ocorra conforme as leis, sem gerar problemas.

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Conclusão

A exportação pode abrir muitas portas para os produtores rurais. Vender um produto para outro país possibilita aumento na escala de produção, aperfeiçoamento técnico, fortalecimento no mercado e, até, um aumento de receita.

Isso tudo pode ser maximizado ao fazer a escolha certa do tipo de exportação, se será direta, indireta ou por meio de um consórcio com outras empresas. 

Dessa forma, inserir produtos no comércio internacional pode representar uma virada de jogo na história dos negócios rurais.

Você já tem alguma experiência com exportação direta e indireta? Gostaria de deixar um comentário com a sua história?

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